UM JARDIM DE MATA ATLÂNTICA NO MEIO DO OCEANO

A maior ilha do estado do Rio de Janeiro é um pequeno paraíso que passou recentemente a ser protegido. Entre piratas, local de quarentena e prisão para grandes criminosos, a história singular desse lugar único é de dar vertigem. Apesar do turismo de massa, ainda se pode respirar tranquilidade, basta sair da Vila do Abraão.

De 24 a 27 de abril de 2013 ~ TOTAL : 8.333 km
Rio de Janeiro → 11 km até o terminal rodoviário → ônibus para Conceição de Jacareí → barco para Vila do Abraão (Ilha Grande)
Par Bertrand de TERRA TRIBUTA

PARTIDA DO RIO DE JANEIRO

0-Depart-de-RDJ-Nana-TerraTributa

Depois de nossa bem ocupada estadia na cidade maravilhosa, retomamos a estrada de bicicleta. Não por muito tempo, pois sair de bicicleta dessa aglomeração de 12 milhões de habitantes não é lá muito simples. Dirigimo-nos portanto, com nossas bicicletas carregadas, até o terminal rodoviário Novo Rio. Graças à nossa simpática anfitriã Nana, que nos mostra o caminho (o mesmo que ela faz para ir a seu trabalho), percorremos esses 11 km sem engarrafamentos.

Antes de nossa partida do bairro do Botafogo, o companheiro de Nana, Rodrigo, nos diz “Se tiverem tempo, fiquem uma semana na Ilha Grande”. Além disso, nos dá vários conselhos: “O norte da ilha é mais povoado e a água é mais calma, enquanto a costa sul é mais selvagem. É minha parte preferida”. Um amigo de Rodrigo, Albert, um cicloturista que a acaba de partir para o Paraguai também nos dá vários conselhos sobre as trilhas para se fazer a pé.

DE UM EXTREMO AO OUTRO

Em duas horas de ônibus saindo do Rio de Janeiro, chegamos à cidade de Conceição de Jacareí, onde tomamos um barco que nos leva, em uma hora, até o vilarejo insular de 3.000 almas de Vila do Abraão.

Que mudança! Descobrimos um universo totalmente diferente daquele do Rio de Janeiro, que nunca para, seja dia seja de noite. Na ilha, para nossa grande felicidade, não há carros (exceto alguns veículos: polícia, bombeiros).

Logo à primeira vista se percebe que a ilha é recoberta de mata atlântica. A proteção e preservação desse ecossistema ameaçado no Brasil se deve ao Parque Estadual da Ilha Grande ao Marinho do Aventureiro e à Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul. Para saber mais sobre a mata tlântica, ver o site SOS Mata Atlântica.

UM POUCO DE HISTÓRIA

«A Ilha Grande desempenhou um papel importante entre os séculos XVI e XIX. Episódios de pirataria, mas também o comércio de escravos, passando pelo contrabando de mercadorias aconteceram na ilha.»

Quando de uma visita em 1863, o segundo e último imperador do Brasil, Pedro II decide mandar construir na ilha um centro de triagem e quarentena para os passageiros doentes (principalmente aqueles atingidos pela lepra) que estivessem chegando ao Brasil. O centro Lazareto, que funcionou de 1886 a 1913, acolheu 4.232 navios, dos quais 3.367 foram desinfetados.

Centre Lazareto, aujourd'hui en ruine

Centro Lazareto, hoje em ruínas


Nos anos 1940, o centro foi transformado num presídio que recebia sobretudo presos políticos e grandes criminosos. A última colônia penitenciária de Cândido Mendes (com base em Dois Rios) foi desativada nos anos 1990. A partir dessa época, a ilha começou a se abrir ao turismo.

Fonte : Site internet oficial da Ilha Grande

DE BARCO OU A PÉ

Mesmo sendo a baixa temporada, há muitos turistas. Quando falamos com as pessoas da ilha, elas às vezes nos respondem em inglês ou espanhol. Em suma, em vinte anos, o turismo alterou o rosto da Vila do Abraão. Como exemplo, acima, o cartaz deste camping: vendo a foto, é um pouco difícil acreditar no que está escrito!

Em suma, para descobrir a ilha selvagem e natural, o ideal é se afastar da vila a pé ou de barco. Na primeira noite, olhamos os mapas pensando: “Poderíamos pegar um barco e depois voltar a pé. Seriam cerca de 50 km de caminhada. Acabamos decidindo fazer uma tentativa de bicicleta pelo caminho de 7 km que leva à praia de Dois Rios. Após uma hora de subida, somos obrigados a nos render às evidências. Vanessa me diz: “Se isso ainda subir muito, não vou aguentar. Estou cansada.” Além disso, ficar sacudindo num caminho pedregoso como esse não é muito bom para o bebê… Damos meia volta.

Levando em consideração nossa atual situação, optamos finalmente por excursão de barco de um dia. No programa, apneia e descoberta das praias do norte da ilha. Esperamos voltar um dia para caminhar pelas diversas trilhas dessa ilha de 106 praias e 193 km² de belezas. A vista de um dos pontos mais altos da ilha, o pico do Papagaio (982 metros), deve ser magnífica…

Publicités