UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E ACESSÍVEL PARA AS FAVELAS DO RIO

Quando perguntamos a nosso anfitrião no Rio de Janeiro, Rodrigo Primo, se ele conhecia algum projeto inspirador na cidade, ele nos respondeu sem hesitar: “Ouvi falar de um projeto de alimentação orgânica numa favela que parece bem interessante para vocês”.

Regina Tchelly, a iniciadora do projeto Favela Orgânica, na comunidade da Babilônia

Regina Tchelly, a iniciadora do projeto Favela Orgânica, na comunidade da Babilônia

Ao consultar o site internet de Favela Orgânica et sua página no facebook, logo ficamos empolgados com os valores desse projeto baseado na alimentação sustentável e no círculo dos alimentos. Trata-se simplesmente da utilização total das frutas e legumes (inclusive das cascas), de fazer compostagem, de ter uma horta e plantar seus próprios alimentos. Tudo isso acessível aos mais desfavorecidos, principalmente para os habitantes da favela da Babilônia onde vive a instigadora desse belo projeto. Fizemos contato com Regina que nos recebeu em sua casa (que é também a base do projeto) para uma aula prática sobre as hortas e uma manhã na cozinha preparando o almoço.

Asa. FAVELAS DO RIO DE JANEIRO

Nessa “cidade maravilhosa”, a pobreza ironicamente vê de cima a riqueza instalada nos edifícios bem protegidos perto das praias. As cerca de 750 favelas do Rio de Janeiro são tristemente célebres por sua pobreza, a precariedade de suas instalações e a violência que nelas reina. Tendo em vista que a população das favelas não para de aumentar (cerca de 17% da população do Rio de Janeiro em 2000), a cidade teve que agir no sentido de garantir uma maior segurança nesses bairros negligenciados por tanto tempo…

Vista da favela Babilônia dominando as praias de Copacabana e do Leme

Vista da favela Babilônia dominando as praias de Copacabana e do Leme

Há cerca de quinze anos assiste-se a uma pacificação das favelas pelos policiais da cidade; sobretudo agora, às vésperas das Jornadas mundiais da juventude (2013), da Copa do Mundo (2014) e dos Jogos Olímpicos (2016). Quando andamos com Regina pela Babilônia, pacificada desde 2009, tudo nos parece tranquilo. “Oi, amor, tudo bem?”, pergunta Regina a seus vizinhos e vizinhas encontrados de passagem. Um pouco mais adiante, quando estávamos pegando terra na frente da Unidade de polícia pacificadora (UPP), um policial nos convida subir ao telhado da unidade para admirar a vista e tirar fotos. A UPP da Babilônia é uma das 32 unidades instaladas desde 2008. Segundo o Figaro (conhecido jornal francês), quarenta outras unidades serão instaladas até 2014 nas favelas consideradas mais perigosas.

AS HORTAS DA COMUNIDADE

“Agora vocês vão me ajudar a buscar terra lá no alto da favela”, nos diz Regina. “Pra quê comprar terra se ela nos é dada pela natureza?”, continua. Logo compreendemos que Regina é uma mulher de ação, que não se limita apenas aos belos discursos sobre a alimentação saudável e orgânica.

Seu objetivo é criar cerca de cinquenta hortas nas casas da Babilônia. Seus critérios de seleção: querer uma horta e se comprometer a cuidar dela na sequência. Regina chega com todo o resto: terra que ela peneira com sua família, caixas de espuma de poliestireno recolhidas à noite após a feira, sementes biológicas… Em menos de uma hora assistimos à criação de uma dessas hortas na casa de sua vizinha. A menorzinha da família participa com alegria da preparação de sua horta e é ela quem vai ser responsável por regá-la todos os dias.

HORA DE PREPARAR O BUFÊ!

Quando Regina nos convida a vir filmar a preparação de um bufê e fazer uma entrevista na sequência, não imaginávamos que passaríamos tantas horas com a mão na massa. Mas foi com prazer que ajudamos Regina e Anita, até que cortei a ponta do polegar cortando cascas de maracujá… Foi a vez de Bertrand assumir a tarefa de abrir as massas.

Mais uma vez vemos Regina pondo mãos – de mestre – à obra, preparando pequenos pratos com sabor de casca de maracujá e de banana. Essa jovem mulher de 31 anos, ex-empregada doméstica, lançou o projeto Favela Orgânica há cerca de um ano e meio e já deu muito o que falar. Graças a dois prêmios recebidos em 2012, ela pôde adaptar sua cozinha e comprar todo o necessário para cozinhar em grupo (sem esquecer os aventais para adultos e crianças).

MISSÃO CIDADÃ DE TERRA TRIBUTA



A Organização sem fins lucrativos TERRA TRIBUTA se compromete a prestar homenagem à Terra, às mulheres, aos homens e a testemunhar das mudanças positivas ligadas aos desafios regionais e mundiais.

Essa homenagem se estrutura em cinco missões: Testemunhar, Criar, Sensibilizar, Inspirar e Apoiar. Nos anos de 2013 e 2014, TERRA TRIBUTA apoiará 10 projetos de comunidades sustentáveis, cinco no Brasil e cinco no Canadá.

Como uma nova iniciativa Apoiar, TERRA TRIBUTA está feliz de contribuir com o projeto Favela Orgânica. A soma de 1.000 Reais será entregue a esse projeto essencial para a comunidade de Babilônia. Obrigado a nossos generosos doadores que tornaram possível esse apoio a uma comunidade do Brasil.

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