CARNAVAL DE OLINDA E DE RECIFE: SE TIVER AGORAFOBIA, MELHOR NÃO IR!

Levamos três semanas para percorrer de bicicleta o litoral entre Olinda (Pernambuco) e Salvador (Bahia). De ônibus, fizemos o caminho inverso em 12 horas a fim de conhecer o famoso carnaval de Olinda e de Recife. Do dia primeiro ao dia quinze de fevereiro, o carnaval era o rei da rua, e todo mundo aproveitou a festa! Coloquem suas fantasias e vamos cair na gandaia!

De 7 a 17 de fevereiro de 2013
Salvador ~ Recife (ônibus, 808 km) ~ Olinda
Total: 7332 km de bicicleta em 274 dias
Por Vanessa ~ Terra Tributa

PARTICULARIDADES DO CARNAVAL DE OLINDA E DE RECIFE

Muitas pessoas nos aconselharam a assistir ao carnaval de Olinda e de Recife. Essas duas festividades estão entre as mais coloridas, tradicionais e divertidas do Brasil. De fato, quase todos os espetáculos do carnaval dessas duas cidades vizinhas são gratuitos, ao contrário dos de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Não é preciso investir num abadá (fantasia que garante prestígio e segurança) para dançar com os seus blocos de percussão preferidos.

Uma única exigência: não ter agorafobia… Mesmo Bertrand, que já cobriu diversos festivais de Montreal quando preparava seu primeiro livro « Français de Montréal » com seu amigo Éric Clément, se confessou várias vezes vencido: “Não aguento mais… tem gente demais… vou voltar para a casa do Dado!”. Quanto a mim, a energia do carnaval parecia recarregar minhas baterias e eu continuava então a festa “sozinha” passeando de um espetáculo a outro nas ruas de Olinda!

Grupo de Maracatu

Bloco Lenhadores

Multidão nas ruas de Olinda

UMA “MULTIDÃO” DE MÚSICAS

Felizmente fomos iniciados nos ritmos brasileiros do carnaval em Salvador com os blocos afro e afoxé. Pernambuco tem uma cultura popular musical de grande riqueza. Uma diversidade de ritmos ressoa nas ruas durante o carnaval: Frevo, Coco, Maracatu, Ciranda, Caboclinho, Rock, Samba, Forró, Axé, Swingueira, MPB, Música eletrônica. Não vou mentir dizendo que já sabemos diferenciar todos esses novos ritmos!

Mas uma dança que logo aprendemos a reconhecer é o Frevo, uma expressão artística típica de Pernambuco, recentemente reconhecida pela UNESCO como patrimônio imaterial da humanidade, como os animadores do espetáculo de abertura em Recife não cansavam de repetir.

Segunda-feira, em Recife, assistimos ao concurso “especial” em que blocos de Índios, de Bonecos e de Bois desfilaram das 16h00 às 3h00 da manhã! Foi com alegria que admiramos suas belas fantasias e suas danças típicas durante as primeiras horas de desfile extremamente colorido.

Convido todos a visitarem o site oficial do carnaval de Recife e de Olinda para escutar algumas canções típicas. Para saber mais sobre os ritmos de Pernambuco, aí vai um site em francês.

O QUEBEC INSPIRADO PELOS RITMOS DO BRASIL

Escutei meus primeiros ritmos quebeco-brasileiros inspirados em sambas tradicionais do Rio de Janeiro em Gaspé, em 2006. Graças a meus amigo Dan, pude confraternizar com os músicos da Batucada Kilombo durante minha estadia de seis meses em Gaspésie. Visitando seu site na internet, tive o prazer de ficar sabendo que eles continuam ativos. Até se apresentaram no festival de Baie-Saint-Paul em Charlevoix verão passado.

Durante nossa curta estadia em Salvador, encontrei por acaso dois quebequenses, Robin e Sandra, meus primeiros em 8 meses! Rapidamente ficamos amigos escutando juntos a música do Olodum, um grupo precursor do samba-reggae em Salvador. Robin me contou que tocava num grupo de percussão de Montreal influenciado pelo samba-reggae brasileiro, o Terrato.

Não conseguimos nos rever durante o carnaval de Olinda/Recife, mas cruzamos alguns amigos deles (Émilie, Simon e dois outros quebequenses) numa esquina enquanto comprávamos algumas frutas à meia-noite. Quatro novos quebequenses: um recorde! Trocamos alguns “conselhos técnicos” com Émilie que também produz documentários (ver seus vídeos).

Como nunca há dois sem um terceiro, cruzamos de novo Simon na casa da mais celebra Nação de Maracatu, Maracatu Porto Rico, que é também um terreiro de Candomblé na favela do Bode em Recife. Simon nos falou de seu grupo em Montreal, o Alayé, influenciado pelos ritmos de Pernambuco (afoxé, coco, candomblé, ciranda, caboclinhos, frevo).

Tudo isso para lhes dizer que se vocês não tiverem a sorte de vir ao Brasil no carnaval, a música brasileira pode ir até você no Quebec!

UMA FAMÍLIA ACOLHEDORA

Uma palavrinha sobre essa encantadora família de Olinda que nos acolheu quase todos os dias do carnaval para que pudéssemos deixar nossas bicicletas em segurança na casa deles. Encontramos Nicolas na nossa primeira passagem por Olinda em janeiro. Apaixonado por bicicleta, viera naturalmente falar conosco quando viu nossas bicicletas de viajantes.

Nicolas e Ian

Bento com pressa de virar ciclista

La família reunida, com sua esposa, Mariana. Obrigado a vocês quatro!

NNicolas sonha em partir com sua família em duas rodas para descobrir o mundo. Fisioterapeuta e palhaço nas horas vagas, ele é especialista em « bike fit » a fim de ajustar as bicicletas para uma melhor ergonomia (contacto : nicomarcial@gmail.com).O que é muito importante para quem passa várias horas pedalando. Pude perceber a diferença quando mandei ajustar minha bicicleta em Foz do Iguaçu em agosto do ano passado.

Para terminar essa aventura carnavalesca, um imenso obrigado ao nosso anfitrião couchsurfing Dado pela sua calorosa acolhida em Olinda ! Boa sorte, Dado, nessa grande aventura da Casa Mecane!

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