A INTENSA SALVADOR

O coração de Salvador parece vibrar ao ritmo de cinco palavras: Pelourinho – Afoxé – Capoeira – Orixá – Candomblé. Dos preparativos para o carnaval, com um grupo de percussão que prega a paz, a uma religião tão intrigante quanto fascinante, passando pela história comovente dos escravos africanos, a alma afro-brasileira da capital do estado da Bahia é sempre surpreendente. Três dias exaustivos, mas três dias fabulosos!

Vista do porto de Salvador e da maior baía do Brasil que, desde o século XVII é conhecida como “Baía de Todos os Santos” e... “de quase todos os pecados!”

Vista do porto de Salvador e da maior baía do Brasil que, desde o século XVII é conhecida como “Baía de Todos os Santos” e… “de quase todos os pecados!”

PELOURINHO

Esse bairro histórico e turístico faz referência ao pelourinho de pedra (ou madeira) sobre o qual os escravos eram presos e chicoteados. Salvador nasceu em 1549 quando os portugueses desembarcaram na baía de Todos os Santos. A cidade fortificada tinha uma localização estratégica e foi por dois séculos a capital brasileira. O primeiro mercado de escravos do Novo Mundo foi instalado em 1558 a fim de fornecer mão de obra para as plantações de cana de açúcar.

Ao chegar com nossas bicicletas carregadas, deambulamos pelas ruas de paralelepípedos desse bairro animado descobrindo, de passagem, diversas igrejas e lindas casas coloridas. Não é de surpreender que ele seja desde 1985 um dos sítios do Patrimônio mundial da UNESCO.

Um dos pelourinhos melhor conservados do Brasil fica na cidade de Alcântara ( Maranhão) que visitamos em dezembro.

A igreja do Santíssimo Sacramento do Passo domina algumas casas coloridas.

A igreja do Santíssimo Sacramento do Passo domina algumas casas coloridas.

Fitas da sorte em lembrança da igreja de Nossa Senhora do Bonfim. Três nós, três desejos.

Fitas da sorte em lembrança da igreja de Nossa Senhora do Bonfim. Três nós, três desejos.

Quando chegamos, os preparativos do carnaval já tinham começado, para nossa felicidade!

Quando chegamos, os preparativos do carnaval já tinham começado, para nossa felicidade!

Um ambiente gostoso reina ao som da música.

Um ambiente gostoso reina ao som da música

AFOXÉ

O termo Afoxé vem do Yorubá, um grupo étnico originário da Nigéria, e exprime a força da palavra, da oração. Costuma-se dizer que o Afoxé é a parte carnavalesca do candomblé. Ele também é chamado de « Candomblé de rua » (Fonte www.macaiba.fr)

No carnaval de Salvador, esses cortejos de músicos, dançarinos e cantores percorrem sonoramente as ruas estreitas do centro histórico. Tivemos a sorte de ver em ação um dos grupos de afoxé mais célebres e mais importantes com mais de 10.000 membros. Vestidos de roupas brancas e azuis, e enfeitados com pérolas e colares, os Filhos de Gandhy são facilmente reconhecíveis!
Desde 1949, esse grupo de afoxé prega a não-violência e a paz em homenagem ao importante guia espiritual indiano.

Enquanto eu trabalhava no computador (surpreendente, segundo minha loira), Vanessa aproveitou para seguir o cortejo pelas ruas lotadas. Ele teve até o privilégio de entrar no local onde estava havendo uma festa em homenagem ao novo presidente da associação, o Prof. Agnaldo Silva.

Filhos de gandhy em ação !

Filhos de gandhy em ação !

Um dos símbolos dos Filhos de Gandhy, os colares de pérolas azuis e brancas

Um dos símbolos dos Filhos de Gandhy, os colares de pérolas azuis e brancas

Figurino tradicional

Figurino tradicional

ORIXA

Símbolo do Orixá Xangô, a divindade da justiça

Símbolo do Orixá Xangô, a divindade da justiça

Em nossa visita ao fascinante museu Afro-Brasileiro, Vanessa e eu ficamos encantados com as obras do artista argentino Carybé. Suas imensas esculturas representado as divindades do candomblé são absolutamente magníficas. Fiquei particularmente maravilhado com a emoção que irradia dos retratos, o movimento dos gestos, a incrustação de conchas e de metais.

Obras do artista argentino Carybé no museu Afro-Brasileiro

Obras do artista argentino Carybé no museu Afro-Brasileiro

CANDOMBLÉ

« O candomblé é uma das religiões afro-brasileiras praticadas no Brasil, mas também nos países vizinhos. Mistura sutil de catolicismo, de rituais indígenas e de crenças africanas, essa religião consiste no culto dos orixás, os deuses do candomblé, de origem totêmica e familiar, cada um deles associado a um elemento naturall (água, floresta, fogo, raio, etc.). Baseado na crença na existência de uma alma própria à natureza, o candomblé foi introduzido no Brasil pelas múltiplas crenças africanas dos escravos traficados entre 1549 et 1888. » Fonte Wikipedia francês

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Tivemos a chance de assistir a uma cerimônia e, um dos maiores terreiros de Salvador, o do Axé Opô Afonjá que celebrou seu centenário em 2010. Durante o ritual chamado Amalá de Xangô, uma comida típica (Amalá) é oferecida ao orixá Xangô acompanhada de músicos que tocam ritmos do candomblé. Pés descalços, entramos na casa dedicada a Xangô e na fila com outros praticantes a fim de prestar homenagem a Xangô e à mãe Stella de Oxóssi‎, a mãe espiritual do terreiro. Ao longo dessa cerimônia, diversas pessoas entram em transe diante de nós. Entre gritos e movimentos do corpo às vezes bruscos, elas vão e vêm pela casa. Quando se aproximam, devemos estender as mãos para cima em sinal de proteção. É a vez de Vanessa. Ela se deita de bruços diante do orixá prosternando-se para a direita e para a esquerda. Erguendo-se e ficando de joelhos, ela se vira então para a Mãe Stella e beija sua mão direita. Elas se levanta então e sai da peça. Chega minha vez, efetuo os mesmos gestos com certa hesitação.

Temos direito então a uma visita ao local com Lucas, uma das pessoas que moram no terreiro. Por fim, encontramos a historiadora e adepta do candomblé, Vanda Machado. Temos o prazer de falar com ela e de gravar uma entrevista em vídeo.

Obrigado a Marlene da Pousada Terra Nossa que organizou nossa visita a essa cerimônia de candomblé.

Lucas diante de uma escultura de seu orixá

Lucas diante de uma escultura de seu orixá

Vanda Machado e seu Orixá Osun

Vanda Machado e seu Orixá Osun

CAPOEIRA

A célebre arte marcial afro-brasileira é praticada em toda parte na cidade e especialmente no terreiro de Jesus, uma grande praça retangular com uma fonte no centro e rodeada por quatro igrejas. O lugar animado reúne turistas, restaurantes, mas também mendigos.

A comunidade do bairro é particularmente pobre e enfrenta diversos problemas sociais. Enquanto estávamos sentados na calcçada comendo um tradicional prato de arroz, feijão e carne ao custo de 8 Reais (4 $), um homem nos aborda estendendo seu prato vazio. Ofereço-lhe uma parte de minha comida. Quando estou terminando o gesto, o homem me diz: “Não esquecça a farinha de mandioca!”. Para um quebequense isso seria o mesmo que comer uma poutine sem queijo!

Mais informações sobre a capoeira virão depois de nossa visita a escola de Capoeira São Salomão de Recife.

VOCÊ SABIA?

Mickael Jackson rodou o controverso clip de sua canção They don’t care about us no Pelourinho.

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