O MENOR ESTADO BRASILEIRO!

Menos de 22.000 km2 e, no entanto, o estado do Sergipe tem uma grande importância natural e histórica no Brasil. A pequena cidade de Pirambu viu nascer a primeira base do projeto Tamar que visa a proteger as cinco espécies de tartarugas marinhas do país. Além disso, a quarta cidade mais antiga do Brasil, São Cristóvão, patrimônio mundial da Unesco, encanta com sua suave tranquilidade. Quanto ao resto? Sem surpresas, os habitantes são acolhedores como sempre!

380 km de 25 de janeiro a 3 de fevereiro de 2013 ~ TOTAL : 7 000 km
Neópolis → Pirambu → São Cristóvão → Praia de Forte (Bahia)
Por Bertrand – TERRA TRIBUTA

Depois de uma noite na cidade histórica de Penedo (Alagoas), tomamos a direção Sul. Em alguns minutos, transpomos de barco o rio São Francisco e chegamos à cidade de Neópolis (Sergipe).

« Que calor! Esquecemos de encher nossos cantis », me diz Vanessa. Ops, não temos nem dois litros. Pedalamos com um agradável vento a favor por uma estrada secundária. No fim do dia, após um delicioso coco, chegamos à famosa BR 101. Essa estrada federal de cerca de 5.000 km atravessa o país de Norte a Sul. Mas a palma de ouro da estrada nacional mais longa do mundo cabe ao… Canadá! Com 7.821 km de um oceano ao outro, a Transcanadienne é uma estrada que conheço bem!
(Ver o vídeo do livro Ô Canada, 16 500 km d’un océan à l’autre)

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Falta de sorte, as obras na BR 101 ainda não estão concluídas e não existe acostamento! Como já está ficando tarde, falamos com um policial rodoviário que nos sugere dormir um quilômetro mais ao norte numa cidadezinha que percebemos entre os numerosos caminhões. Passando por uma das ruas da comunidade, cruzamos com uma calorosa família. Gabriela nos convida para ficarmos em sua nova casa. Ela ainda não mora nela e vamos inaugurá-la acampando na sala! Qual é a maior felicidade depois de um dia inteiro de bicicleta no calor? Um banho frio! Juntamo-nos a nossa anfitriã, seus pais, Dominique e Iza, e suas duas encantadoras filhas, Maira, que corre por toda parte e a pequena Irla. Temos até direito a uma farta refeição. Muito obrigado!

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Depois de uma boa noite de sono e 50 km de bicicleta, chegamos a Pirambu. Na beira da praia, descobrimos o posto do Tamar cujo nome vem da contração de tartarugas marinhas. A primeira base desse projeto ambicioso foi criada em 1982. Conservação, pesquisas, educação e desenvolvimento comunitário são as palavras chave dessa aventura. (Mais informações no nosso próximo artigo).

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Mais um dia de bicicleta e alguns quilômetros mais adiante, descobrimos, no alto de uma colina, o encantador centro histórico de São Cristóvão, fundado em 1590. Capital do Sergipe até 1855, a cidade é hoje uma parada repousante e interessante para descobrir suas igrejas, suas ruas de pedra e suas construções coloniais. Vanessa aproveita também para visitar o Museu Histórico do Sergipe. Desde 2010, a praça de São Cristóvão é um sítio do Patrimônio Mundial da Unesco.

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Fonte UNESCO : « A praça de São Francisco, na cidade de São Cristovão, forma um quadrilátero a céu aberto, cercado de construções imponentes como a igreja de São Francisco e seu convento, a igreja da Santa Casa da Misericórdia, o palácio provincial e casas de diferentes épocas. Esse conjunto monumental, com as casas vizinhas do século XVIII e XIX, cria uma paisagem urbana que reflete a cidade desde sua origem. O conjunto franciscano é um exemplo da arquitetura típica dessa ordem religiosa que se desenvolveu no nordeste do Brasil. »

Para saber mais: site da Unesco

Antes de partir, degustamos uma especialidade local, as queijadas, doces feitos com queijo branco e coco. Deliciosos! Na mesma hora, cruzamos um simpático grupo de artistas que nos fotografa. Nós fazemos o mesmo!

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O tempo voa, o sol já está baixo e temos que encontrar um lugar onde acampar… Por sorte, a dois quilômetros do centro da cidade, encontramos Jacirene Vieira, sua família, seus cavalos, seus cachorros, suas galinhas, etc. Lugar não falta, e instalamos nossa barraca sob uma mangueira. Mais uma vez, nossos anfitriões nos oferecem uma bela refeição. Muito obrigado!

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Pouco depois da cidade de Indiaroba, deixamos o Sergipe e chegamos a seu vizinho do Sul, 25 vezes maior, o imenso estado da Bahia! Nossas primeiras pedaladas sobre a Linha Verde nos fazem suar… Sorrimos ao ler o site internet do Guide du Routard (“Guia do estradeiro”) : « Inaugurada em 1993, mas construída desde o fim dos anos 1960 sob o nome de “estrada dos coqueiros”, a Linha Verde é um lugar ideal para viajantes de carro ou de ônibus». Não há dúvida, para quem está de carro ou ônibus, não com uma bicicleta supercarregada!

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Em nossa primeira noite na Bahia, acampamos em Palame, numa fazenda. Nossa próxima parada será na Praia de Forte. Apesar da onda turística que transformou completamente a paisagem dessa aldeia de pescadores, queremos descobrir o universo fascinante das tartarugas marinhas do projeto Tamar.

Como se orientam as tartaruguinhas quando saem do ninho? Quais são as diferentes espécies? Por que esse réptil está ameaçado hoje em dia? Quais são as ações realizadas pelo Tamar? Em breve, um artigo completo sobre os três dias que passamos no Centro Nacional do projeto Tamar na praia de Forte (Bahia).

Obrigado por seu apoio e feedback!

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