ALAGOAS, UM ESTADO POUCO CONHECIDO

Eis a continuação de nossas pedaladas brasileiras! Menor do que a ilha de Vancouver (!), o estado do Alagoas é um destino fascinante onde conhecemos a reserva marinha de Galés e a nossa primeira praia cinco estrelas. Ao longo do litoral bordado de coqueiros e mangueiras, uma espécie em vias de extinção nada na água turquesa – e a história de Penedo causa arrepios. Protetor solar e: partida!

260 km de 13 a 24 de janeiro de 2013 ~ TOTAL: 6 677 km
Maragogi → Praia de Patacho → Maceió → Penedo
Por Bertrand – TERRA TRIBUTA

A MAGIA AQUÁTICA DE MARAGOGI

Nosso barco segue em direção da barreira de recifes. Alguns minutos mais tarde, o motor para e constatamos que a reserva marinha de Galés é bastante popular. Talvez demais? Uma horda de turistas vai e vem de um lado para o outro. Vanessa e eu pegamos nossas máscaras e aparelhos fotográficos e deixamos essa zona onde a palavra “reserva” não faz mais nenhum sentido. Nenhuma advertência ou conselho dos guias sobre essa zona protegida, nada!

Algumas respirações adiante, a rica vida marinha se oferece a nós em toda quietude – para nossa grande felicidade. Mesmo não sendo um dos mais belos lugares para mergulho do Brasil, a visibilidade é de vários metros e oferece um belo espetáculo de peixes coloridos nadando na água turquesa. Percebemos também alguns poucos corais amarelos.

Alagoas-Bresil©TerraTributa (1)

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De volta à terra firma na cidade de Maragogi, tomamos a direção do Sul por uma estrada secundária. Alguns quilômetros adiante, embarcamos nossas bicicletas numa balsa e nos aproximamos de um pequeno paraíso de tranquilidade!

CAMPING CINCO ESTRELAS EM PATACHO

Empurrando nossas bicicletas por um caminho de areia à sombra dos coqueiros, o som das ondas nos chama. Nossos olhares se fixam no horizonte a perder de vista. À esquerda, ninguém, à direita, ninguém, quer dizer, dois turistas deitados sob dois coqueiros!
A praia de Patacho, cinco estrelas na bíblia das praias brasileiras, é um verdadeiro refúgio de paz. Falamos com nossa vizinha, a simpática proprietária de um albergue de luxo, a fim de verificar a segurança do lugar durante a noite. Ela nos tranquiliza e nos convida a tomar um banho na ducha ao ar livre. O dia termina bem com jovens bancando os equilibristas nas árvores!

Depois de um dia de bicicleta, o cair da noite é sinônimo de descanso. Antes disso, cozinhamos um pouco de arroz à luz da lua de nossas cansadas lâmpadas frontais. Boa noite! Um pouco cedo demais, o despertador luminoso ilumina nossa barraca por volta das cinco horas da manhã, alguns minutos antes da chegada do sol.

Jeunes singes équilibristes à la plage de Patacho

Jovens equilibristas na praia de Patacho


Lever de soleil sur la plage de Patacho

Nascer do sol na praia de Patacho


Notre campement près des cocotiers

Nosso acampamento perto dos coqueiros


Cette pousada a misé sur la couleur rose pour se distinguer des autres hébergements longeant la côte.

Essa pousada pegou firme no cor de rosa para se distinguir dos outros alojamentos.
Piscada para nossa amiga Julie!


 Fin de journée à la plage de Lage


Fim do dia na praia da Lage


S.O.S. PEIXE-BOI

O peixe-boi é um peixe herbívoro que pode medir até cinco metros e está hoje em vias de extinção. Duas espécies são encontradas ao longo das costas brasileiras, principalmente nas fozes dos rios: o peixe-boi da Amazônia e o dos Caribes.

Até não muito tempo atrás, esse imponente mamífero de mais de 500 kg era caçado por seu óleo e sua carne. Hoje, a caça ilegal persiste, mas o peixe-boi é ameaçado sobretudo pelas hélices dos motores dos barcos.

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Menos de 500 espécimes de peixes-bois do Caribe sobrevivem hoje nos estados do Ceará e de Alagoas. Oito quilômetros depois da praia do Patacho, temos o privilégio de encontrar a Presidente da Associação Peixe-Boi para realizar uma entrevista em vídeo. Bióloga de formação, Tertuliana Flávia Cavalcante do Rêgo trabalha há quatro anos na organização responsável pela observação dos peixe-bois no município de Tatuamunha.

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L’accès au site de la rivière Tatuamunha est limité à 70 personnes par jour. Nous avons pu y voir l’enclot où les lamantins sont -----. De plus, nous avons apercu de loin deux lamantins en train de se nourrir d’herbes flottantes.

O acesso ao posto de observação do rio Tatuamunha é limitado a 70 pessoas por dia. Ali pudemos ver o cercado onde os peixe-bois são reintroduzidos. Esse lugar é a última etapa de um longo processo de reintrodução
que começa em Pernambuco na ilha de Itamaracá, gerido pelo ICMBio.
Durante nossa vida, vimos dois peixes-bois comendo plantas flutuantes.


En 2010, le National Geographic a fait la couverture de son numéro de novembre sur le Peixe-Boi.

Em 2010, a National Geographic fez a capa de seu número de novembro sobre o Peixe-Boi.


TRABALHOS E ACOLHIDA CALOROSA NA ESTRADA

Deixando a pequena cidade de Tatuamunha, pedalamos 70 quilômetros e chegamos à capital de Alagoas. Mesmo tendo ficado três noites em Maceió (um único banho de mar para Vanessa), não chegamos a conhecer de verdade essa cidade de um milhão de habitantes. Aproveitamos para adiantar e finalizar diversos dossiês Terra Tributa, boletim informativo, artigos, maquete de nosso próximo livro, etc. Vanessa também escreveu uma bela carta a um amigo eremita que vive numa cabana lá no fundo dos Montes Groulx, um maciço montanhoso situado depois da barragem de Manic-5!

De retour sur le vélo, nous quittons Maceió par la piste cyclable.

De volta à bicicleta, deixamos Maceió pela ciclovia.


Les habitants de l’Alagoas exploitent de nombreuses plantations de cocotiers comme ici près de la plage do Gunga.

Les habitantes de lagoas exploram diversas plantações de coqueiros como essa perto da praia do Gunga.


Lors de notre nuit de camping sur la plage de Jequia, nous avons croisé un groupe de quatre pêcheurs. À la lumière de leur perche en acier brûlant de l’essence et un morceau de pneu (!?), ils débusquent une sorte de crabes nommé aratu.

Em nossa noite de camping na praia de Jequia, cruzamos com um grupo de quatro pescadores.
À luz de uma vara de aço com gasolina e um pedaço de pneu (!?),
eles caçam uma espécie de caranguejo chamado aratu.


Pela primeira vez em vários dias, fizemos uma parada sem ser numa praia. No fim da manhã, estamos cansados pelo calor opressivo. Na primeira casa com jeito de acolhedora, perguntamos se podemos instalar nossas redes a fim de repousar nas horas de pico do sol. À sombra de uma enorme mangueira, Maria nos acolhe com seu belo sorriso. Depois de uma sesta, quando nos preparamos para partir, Maria volta acompanhada de sua filha Tainá. “Venham tomar uma ducha, vai lhes fazer bem. Depois vamos comer todos juntos”, nos diz Maria sempre com os mesmo sorriso. Aceitamos com alegria. Pouco depois, um grande abraço nos braços de Maria, e partimos com duas mangas e a barriga bem cheia!

Os quilômetros se sucedem, estamos com o vento a favor. Quando o sol baixa no horizonte, procuramos um lugar para acampar. “A praia de Feliz Deserto não me inspira confiança” diz Vanessa com tristeza. Temos que retomar a estrada sem saber se alguma casa vai aparecer nos próximos dois ou vinte quilômetros! Depois de umas poucas centenas de pedaladas, percebemos um grupo de casas com uma entrada. Falo com Darcy e sua mulher. Eles nos deixam acampar perto da casa deles! Yes, largamos enfim as bicicletas! E ainda temos direito a água de coco, uma ducha e uma refeição com nossos anfitriões e seus dois gatos! Manuel Adacir trabalha numa plantação de coqueiros enquanto Bemvinda trabalha há 28 anos numa escola.

Depois de uma bela noite de sono e um café da manhã em companhia de Bemvinda, deixamos nossos simpáticos anfitriões e seguimos em direção à cidade colonial de Penedo.

Bem Vinda et Vanessa

Bemvinda e Vanessa


En route vers Penedo, nous rencontrons l’artiste populaire -------------- dans son atelier coloré à Piaçabuçu.

Na estrada para Penedo, encontramos o artista popular José da Veia no seu colorido ateliê em Piaçabuçu.


478 ANOS DE HISTÓRIA!

Penedo, a quinta cidade mais velha do Brasil, tem uma longa história. A tranquilidade de hoje surpreende quando se conhece seu passado sangrento e tocante. Da guerra entre holandeses e portugueses, ao longo combate que levou à abolição da escravatura no estado, a cidade, situada às margens do rio São Francisco, é uma parada histórica obrigatória.

Fizemos uma visita guiada à Casa do Penedo. Dos instrumentos de tortura reservados aos escravos, às fotos do movimento nazista à época da segunda guerra, passando pela história do carnaval local, esse museu é muito interessante.

Au XIXe siècle, la famille Lemos cachaient derrière des panneaux de l’église Nossa Senhora da Corrente des esclaves. Le 13 mai 1888, la Loi d’or a mis fin à l’esclavage au Brésil.

No século XIX, a família Lemos escondia atrás da igreja Nossa Senhora da Corrente escravos fugidos, a fim de protegê-los. Em 13 de maio de 1888 a lei áurea pôs fim à escravidão no Brasil.


PREGUNTA : Qual a idade desse artista de Maragogi que fez essa obra em dois minutos na nossa frente?

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