NOVA PARTIDA DE BICICLETA: DE BÉLEM A ALCÂNTARA

Está na hora de voltar á estrada. A região Nordeste nos chama para conhecermos suas cidades coloniais, suas praias e seus calorosos habitantes. De pedalada em pedalada, avançamos cada dia com uma pequena rotina: despertar às 4h30 – partida de bicicleta às 5h30 – pausa do meio-dia nas redes entre 11h30 e 13h30 – nova pedalada até as 16h30. Assim que encontramos um lugar agradável para acampar o dia termina após umas 9 horas de calor intenso. Depois disso, costumamos dormir bastante bem!

De 15 a 23 de novembro de 2012: 650 km (Total de bicicleta: 5.105 km)

DIA 1: Sob o signo da amizade

5h30, é a hora da partida. Hoje é feriado e vem bem a calhar : Lupa e dois amigos, Alexandre e Lima se juntam a nós para deixar Belém. Graças a eles, pegamos a estrada sorrindo apesar do cansaço dos últimos dias. Para ganhar forças, fazemos diversas paradas: caldo de cana, água de coco, pães com queijo e outras delícias. Obrigado a nossos três compadres por sua energia bonita e sua amizade! A primeira vista, nosso lugar de acampamento tem tudo para agradar. Tranquilidade. Árvores, banheiros, uma ducha e mesmo um tanque para se banhar. Nem imaginávamos que, durante a noite, seríamos atacados por dezenas de insetos não identificados. Tão pequenos que conseguem passar através do mosquiteiro!

Uma bela equipe! Lupa, Alexandre e Lima pedalaram mais de 60 km com a gente.

Chapéu tradicional (que me cai muito bem, eu diria!)

DIA 2 : Encontro com nosso primeiro russo!!

Ao pegarmos a estrada, que bela surpresa ver uma barraca instalada perto do posto de gasolina. Enquanto o sol nasce e eu filtro 4 litros de água, Yuri me saúda e se aproxima de mim. Vanessa logo se junta a nós e começamos um bate papo que durará uma boa meia hora! Ele está chegando de São Paulo e resume seus dois primeiros meses no Brasil assim: “Já viajei muito pelo mundo e o Brasil é um dos países mais difíceis. Há campos e fazendas fechadas por toda parte e é impossível acampar. A paisagem da estrada é monótona, há muitas subidas e muito trânsito”. Por sorte, provavelmente não pegaremos a mesma estrada que ele! O fato de não falar português não o ajuda muito. Mas temos que admitir que ele tem razão quanto ao camping selvagem. É por isso, aliás, que costumamos acampar perto de uma casa pedindo sempre permissão para os moradores. É engraçado encontrar um russo aqui no Brasil! Ele é da região de Sochi, lá onde acontecerão os Jogos Olímpicos de inverno de 2014.

Encontro com um ciclista russo!

DIA 3: Estrada de terra e calor sufocante

Seguindo os conselhos de nosso simpático anfitrião de Belém, fazemos um pequeno desvio pela cidade de Bragança. Infelizmente, não conseguimos encontrar o amigo de Lupa que prática Kitesurf na região. Temos portanto que nos resignar a retomar a estrada… O caminho mais fácil e mais longo é pela estrada asfaltada. Decidimos tomar a estrada asfaltada, mais difícil, mas mais tranquila e mais curta!

As duas principais vantagens de acordar cedo: faz menos calor e o vento (contra) costuma começar às 8h.

O Palácio da cidade de Bragança

Para se refrescarem, alguns buscam os igarapés

Nosso mapa nunca indica as cidadezinhas. Cruzamos muitas delas com as tradicionais igrejas.

DIA 4 : A generosidade brasileira sempre presente

Ontem, dormimos no terreno de Manuel e Raimunda. Nossos simpáticos anfitriões nos aconselham a pegar a estrada um pouco mais tarde. A festa que aconteceu a noite inteira (a menos de dois quilômetros) termina às 6h da manhã! Partimos portanto por volta das 6h30, o tempo para que os últimos festeiros « empolgados » partam com suas motos e bicicletas. No fim da manhã, sob o calor escaldante, chegamos à estrada de asfalto. Para descansar, fazemos uma parada numa casa. Em menos de dois minutos, encontramos uma família de 4 pessoas. Eles nos convidam para comer e nos mostram o lugar do chuveiro. Nada como cair no lugar certo! Duas horas depois, retomamos a estrada. Antes disso, Frakilim, um pastor, nos dá sua benção. Muito obrigado!

Obrigado a Manuel e Raimunda por sua calorosa acolhida e pelo café da manhã

Quem diz ponte diz rio!

Sem hesitar,Vanessa se joga na água com roupa e tudo!

Obrigado a essa encantadora família: Frakilim, Luzia, Midiã e Samuel

DIA 5: Primeiro dia no Nordeste

Por volta do meio-dia, atravessamos o rio Gurupi, fronteira entre o estado do Pará e o do Maranhão. Entramos em nossa quarta região, a Nordeste. Essa é provavelmente uma das partes mais bonitas do Brasil, com cidades como Salvador, Recife, Fortaleza e, é claro, centenas de praias magníficas! É também uma região muito pobre. A seca que reina em cada um dos nove estados dessa região não ajuda nem um pouco. Não chove há cinco meses. A estação das chuvas deveria começar em dezembro.

Pela segunda vez em 6 meses, temos nevoeiro pela manhã!

Talvez esteja na hora de trocar a placa…

DIAS 6 E 7 : O cansaço se faz sentir …

Conversa frequente entre Vanessa e eu:
V – Tá calor, estou com dor de barriga. Que horas são?
B – 10h30
V – Vamos parar daqui a pouco?
B – Não, mais uma hora.
10 minutos depois
V – Que horas são? Tá quente demais. Vamos parar daqui a pouco?
B – Não. Quer dizer, tá bom, assim que encontrarmos um lugar agradável!

Outro dia intenso começa sob o sol

Uma parada clássica na sombra para beber um suco de frutas ou simplesmente água fresca. Obrigado a essa simpática senhora!

Essa família estava fazendo farinha de mandioca quando paramos em sua casa. Durante nossa sesta do meio-dia, tivemos que recolher nossas redes, pois as vacas estavam com medo!

DIA 8 : Camarão seco…

Vanessa não acreditava, mas é verdade: nesta região, costuma-se secar o camarão fresco no asfalto, na beira das estradas. Parece que assim é mais rápido. Não faço ideia se esse método é difundido em todo o Brasil. Honestamente, as formigas ou as moscas me incomodam menos do que o contato dos camarões com o petróleo… um pouco mais adiante, fazemos nossa tradicional parada noturna. Dora e suas duas filhas nos acolhem maravilhosamente. Temos direito a uma refeição com arroz e carne (não tínhamos nada para comer) e até a um quarto com cama de casal! Mosquitos de brinde!

A estrada é mais agradável, não há tantos campos e fazendas.

Os famosos camarões secos

Casa tradicional de madeira e barro.

Obrigado a Dora por sua calorosa acolhida!

Dia 9: Vamos descansar mais tarde…

Para fechar com chave de ouro essa etapa de 650 km, terminamos com subidas de tirar o fôlego. Nada fácil… Ajudo Vanessa a empurrar sua bicicleta. Apesar de uma parada de 3 horas entre 11h30 e 14h30, ela está cansada e sua dor de barriga parece subir. No fim do dia, ela sente dificuldade de respirar por causa do esforço. Finalmente chegamos a Alcântara depois de uma última subida.

PS DIA 10: Fomos de manhã cedo ao hospital de Alcântara, sem sucesso. Por sorte, à noite, encontramos um médico e uma enfermeira no albergue em que acampamos. Depois de uma auscultação do coração e dos pulmões, NADA! Ufa! Segundo eles, trata-se de cansaço muscular. Ficamos aliviados. Além disso, eles nos deram dois comprimidos de um medicamento que vai ajudar a Vanessa e uma receita para comprarmos mais. Que sorte tê-los encontrado!

O hospital da Universidade Federal de São Luis realiza visitas na região de Alcântara. È preciso saber que os políticos eleitos da região, como em muitos lugares do Brasil, não parecem considerar a saúde algo importante.

Descanso de alguns dias para Vanessa. Agora ela já está bem melhor!

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