BELÉM: UMA CALOROSA ACOLHIDA NA CIDADE DAS MANGUEIRAS

Da segunda-feira 29 de outubro à segunda-feira 5 de novembro & da segunda-feira 12 de novembro à terça feira 13 de novembro

A grande cidade de Belém está situada perto do rio Guamá a cerca de cem quilômetros do oceano Atlântico. Passamos a semana descobrindo esse universo e degustando os sabores da Amazônia graças à família Jacob que nos acolheu de braços abertos. Gostamos tanto de nossa estadia que voltamos por mais alguns dias antes de retomar caminho para a região Nordeste. Que bela surpresa… As mangas, que eu tanto esperava, agora estão maduras!

Círio de Nazaré

Chegamos a Belém de barco. Estamos felizes de pedalar de novo depois de 5 dias de rede! Perdemo-nos um pouco na cidade, o que nos permite cair por acaso nos últimos 30 minutos da procissão do Círio de Nazaré. Esse acontecimento católico e cultural reúne mais de 2 milhões de fieis cada ano (Belém tem 1,5 milhões de habitantes). Há mais de 200 anos, essa festa presta homenagem por duas semanas a Nossa Senhora de Nazaré, a mãe de Jesus. Em 2004 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reconheceu essa celebração como um patrimônio cultural imaterial.

A basílica Santuário de Nazaré é o lugar para onde é levada a virgem quando do Recirio que marca o fim das festividades religiosas do Círio de Nazaré.

Os fieis no interior da Basílica Santuário de Nazaré quando do Recírio.

A imagem de Nossa Senhora de Nazaré reproduzida em todos os círios orgulhosamente levados pelos fieis durante a procissão (desenho de Lupa Jacob)

A família Jacob

Mais uma vez, a hospitalidade brasileira se faz presente. Graças a Raoni, primo do presidente da Rodas da Paz em Brasília, encontramos Lupa, um grafista apaixonado por bicicleta e canoagem. Lupa e sua mulher, Jonise, sonham em viajar de bicicleta para descobrir seu país e a América do Sul. Por enquanto eles saboreiam os prazeres da bicicleta tandem e do caiaque. Como faz muito calor em Belém (mais de 35º Celsius), a atividade física costuma ser praticada de manhã cedo (5h00 às 7h00) ou de tardinha (depois das 18h00).

A família Jacob, nossos anfitriões em Belém: Lupa, Jô, suas duas filhas (Naia e Mellina), o pequeno Luca (filho de Naia) e Mamie Celina (a mãe de Lupa). Quatro gerações dos Jacob vivem sob o mesmo teto! Acompanhados na foto por Rogério, o primeiro neto de Mamie Celina, sua mulher, Mônica e Julia, a mais nova integrante da família.

Jonise, ou Jô para os amigos, trabalha na Casa da Memória da Universidade da Amazônia (UNAMA). Tivemos a sorte de visitá-la com ela. No coração desse lugar imenso, descobrimos diversos espaços de exposições. A sala mais bonita, a Galeria de Arte “Graça Landeira” apresenta o artista Mateus Sá, originário da cidade do Recife na região Nordeste. Sua exposição « Antes de ontem, ontem e hoje » é verdadeiramente fascinante. Adoramos a apresentação de fotografias, algumas delas imensas (7 metros de altura), outras acompanhadas de música em forma de vídeo.

Exposição de Mateus Sá © UNAMA

Enquanto escrevo estas linhas, Mamie Celina nos convida para tomar um café. No menu, algumas especialidades da região com nomes exóticos : a tapioca e o bolo de macaxeira, seguidos por frutas da Amazônia : biriba e pequiá. Somos tratados a pão de ló nessa família!

A colheita matinal de mangas

O mês de novembro anuncia o amadurecimento das mangas em Belém! Aproveito o máximo, comendo cerca de 6 mangas por dia! Bertrand não me acompanha nessa loucura por conta de um problema intestinal que persiste desde nossa aventura de barco. Ele é obrigado a limitar sua alimentação a arroz com… arroz. Isso até inspirou os nomes de nossas equipes em nosso famoso jogo dos papeizinhos versão brasileira : a equipe Manga louca contra a equipe Arroz com arroz!!

Não basta comer, é preciso também colhê-las… Saímos cedo com Lupa para uma colheita de mangas.

Inúmeras mangueiras margeiam as ruas e não precisamos ir muito longe para encher nossa sacola com cerca de 80 mangas! É preciso prestar atenção à queda de mangas quando a gente passeia na cidade! Raoni, nosso primeiro contato em Belém, dizia justamente : « Aqui, todo mundo tem uma história de mangas para contar ! ». Algumas já passaram de raspão, mas por enquanto nenhuma me acertou em cheio.

Hum, mangas boas! Esse tipo de manga verde está pronta para comer assim que cai do pé.

Saída de caiaque na Baía do Guajará

Numa terça-feira, acompanhamos Lupa e Jô num passeio de caiaque nos arredores da cidade. Lupa trabalha como guia na Marenteza Canoagem, a única escola de caiaque em Belém. Duas vezes por semana, ele sai para remar com um grupo de alunos. A oportunidade é boa e aceito com prazer me juntar ao grupo. Bertrand, ainda tomando remédios, nos espera filmando à beira da água.

Que prazer reencontrar as alegrias do caiaque e ver a cidade por um outro ângulo!

O logo da escola de caiaque Marenteza Canoagem com o famoso boto tucuxi

A escola de caiaque está tentando emplacar um projeto social que permitiria aos jovens mais pobres de Belém descobrir as alegrias do caiaque. Aqui, como em toda a parte no Brasil, a diferença entre pobres e ricos e impressionante e desoladora. Tanta desigualdade social num país tão rico em recursos naturais… O que fazer? O projeto Marenteza Canoagem é uma gotinha que pode fazer a diferença para vários jovens.

Uma vez por mês, o trajeto é reduzido para aproveitar um café da manhã à beira da água em boa companhia!

Belém à noite

Vista da cidade ao anoitecer perto de um centro comercial. Nesse primeiro domingo de novembro temos até a oportunidade de assistir à chegada do Papai Noel. Ano passado, sua aterrissagem de helicóptero causou furor… esse anos, foi num carro conversível com mamãe Noel que ele desembarcou no Shopping Center. Vamos propor a bicicleta para ano que vem!!

Esperando a estrondosa chegada do Papai e da Mamãe Noel, assistimos com prazer a uma colorida dança com música tradicional. Uma pequena antecipação do carnaval! Esses personagens, do Boi Máscara de São Caetano de Odivelas, são típicos do estado do Pará.

Em nossa primeira noite em Belém, visitamos a cidade de bicicleta com Lupa e Raoní. Uma das mais antigas praças da cidade acabou de receber sua iluminação de natal. As bolas de sabão substituem a neve no Brasil! Degustamos com prazer os pratos locais, vatapá, tacacá e caruru vendidos na rua. Má ideia para Bertrand que não pode com eles …

O porto e o mercado Ver-O-Peso

Visitamos de bicicleta o porto e seu famoso mercado Ver-o-Peso construído na época colonial. Esse nome vem daquele período quando os portugueses exigiam que os produtos fossem pesados para calcular os impostos. Esse lugar é um paraíso para descobrir os sabores da Amazônia!!

O porto no final do dia com as famosas torres do mercado que costumam simbolizar Belém

Lupa, Vanessa e Bertrand na beira do porto

A diversidade de frutas, legumes, peixes, plantas medicinais, roupas e artesanatos e espantosa nesse mercado! Este é um exemplo de uma estante de frutas provenientes da floresta amazônica : abricó, castanha-do-pará, muruci, urucum, jenipapo, batata doce, uxi, macaxeira e buriti. Compramos alguns para meu maior prazer!

Uma colorida estante de pimentas de cheiro!

O porto de Belém com seus guindastes de carregamento. Há dez anos, a cidade sofre uma transformação « vertical » com a construção de muitos edifícios que mudam o rosto da cidade.

Na seção de peixes, admiramos e compramos alguns Dourados da cidade de Soure (Ilha de Marajó), nosso próximo destino!

Um imenso obrigado a toda a família Jacob por esses maravilhosos momentos repletos de amor!

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