MANAUS, 343 ANOS NO CORAÇÃO DA AMAZÔNIA

Que contraste! Em 3 horas de avião, passamos do universo modernista de Brasília para aquele de Manaus, cidade com mais de 340 anos e marcada pelo « ciclo da borracha ». Os grandes eixos repletos de carros são agora pequenas ruas lotadas de passantes e comerciantes de toda espécie. Bem-vindo ao portal de entrada da Amazônia!

NOSSA 3ª REGIÃO BRASILEIRA
Aterrissamos em Manaus, cidade grande de 2 milhões de habitantes situada no meio da floresta amazônica e no Estado do Amazonas. Estamos agora no Norte, a maior região do Brasil que reúne 7 estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Essa região constitui um lugar místico e único no mundo porque nela se encontram a maior bacia hidrográfica e a maior floresta do mundo. Sem esquecer a célebre Hevea brasiliensis, a árvore que agitou essa região do país há mais de um século.

Nossa primeira noite no aeroporto de Manaus!

A HISTÓRIA DA « ÁRVORE QUE CHORA »
A 20 km do aeroporto, feitos de bicicleta, descobrimos o Centro Histórico e sua animada multidão. Às vezes é difícil abrir caminho! O Teatro Amazonas é sem dúvida alguma o mais belo prédio da cidade. Esse teatro, inaugurado em 1896, de estilo neoclássico e construção inglesa, marca a opulência dos anos 1880 a 1910, devida ao Ciclo da Borracha.

As ruas em volta do teatro são recobertas de borracha a fim de diminuir o barulho dos retardatários que chegam de carro.

Naquela época, o Brasil era o único produtor de borracha do mundo, graças à seiva da Hevea brasiliensis (chamada de « árvore que chora » pelos indígenas). Infelizmente, essa corrida ao « ouro branco » se realizou em condições próximas às da escravidão para os seringueiros, os trabalhadores encarregados da coleta do látex. Cerca de 30.000 trabalhadores morreram ao longo dessa exploração lucrativa para o governo brasileiro. Depois da exportação ilegal de 70.000 sementes de hevea pelo inglês Henry Alexander Wickham, a decadência começou nos anos 1920.

Para saber mais: um texto interessante: Por Rainer Sousa – Graduado em História – Equipe Brasil Escola

MANAUS HOJE
A visita ao porto e ao mercado Adolfo Lisboa é imperdível. Uma experiência cultural que descobrimos com prazer! Cada dia, toneladas de mercadorias vão e vêm num burburinho intenso. Pode-se encontrar de tudo aqui, dos peixes – é claro –, aos mais variados frutos, passando por motores de barco, artesanato local…



« Para redinamizar a cidade de Manaus, o governo criou em 1967 uma zona franca que atraiu numerosas indústrias e criou assim muitos empregos » nos explica um cidadão encontrado ao sabor de nossos passeios. Cerca de 600 empresas estão instaladas nessa zona em 2012, entretanto, a crise econômica europeia também tem repercussões aqui, já que grande parte dos produtos é destinada à exportação. Como em toda parte, Manaus deve se questionar sobre sua economia. Como se dirigir rumo a um desenvolvimento mais sustentável?

Nossas pedaladas nem sempre foram fáceis nessa cidade fervilhante. Prestando muita atenção no trânsito, deu tudo certo. Por outro lado, temos que confessar que ainda não estamos acostumados com esse calor e, sobretudo, com essa umidade!

NOSSOS ENCONTROS
Mais uma vez, graças ao Couchsurfing, fazemos um novo amigo. Erick Bosso tem a gentileza de nos alojar gratuitamente no segundo quarto de seu apartamento por vários dias. Formado em engenharia da computação e trabalhando como controlador fiscal de impostos, Erick é de Goiânia. A qualidade e a diversidade de seu francês nos surpreendeu agradavelmente. É preciso dizer que ele estudou por um ano na École Centrale de Lyon, na França.

Graças a ele, tivemos a oportunidade de descobrir, 100 km ao norte de Manaus, a cidade de Presidente Figueiredo. « Vocês têm que ir lá. Conheço várias cascatas onde poderemos nos banhar », nos diz Erick. Está aí uma atividade que nos agrada! Obrigado, Erick, por sua calorosa acolhida em Manaus!

Cascata em Presidente Figueiredo

Vanessa e nosso simpático anfitrião Erick

Embora o nível da água seja baixo na estação seca, pudemos aproveitar das alegrias aquáticas dessa região.

No quadro de nossa série de documentários, tivemos o prazer de fazer duas novas entrevistas em vídeo. A primeira com a antropóloga Deise Lucy Oliveira Montardo. Conversamos com ela sobre a realidade dos povos indígenas na Amazônia e no sul do país. A professora Deise sabe muito sobre o assunto pois sua tese de doutorado já versava sobre os laços culturais entre a música e o xamanismo de um povo indígena Guarani nos estados do Mato Grosso do Sul e de Santa Catarina. Hoje ela é professora da Universidade Federal do Amazonas, em Manaus, e continua interessada no laço cultural trazido pela música, mais particularmente entre os índios da Amazônia.

A antropóloga Deise Lucy Oliveira Montardo diante de um mapa da diversidade linguística dos povos indígenas do Brasil

Nossa segunda entrevista aconteceu no belo mas malcheiroso Parque do Mindu, situado perto do centro de Manaus, onde encontramos Ricardo Romero, originário de São Paulo. Esse apaixonado por bicicleta participa ativamente e é o principal representante do movimento Pedala Manaus. Essa associação de ciclistas de apenas 3 anos de idade reúne a cada semana milhares de apaixonados. Uma de suas principais atividades é o tradicional passeio ciclístico de terça-feira à noite do qual participam entre 250 e 350 pessoas cada semana! Nós iríamos participar também, mas a chuva decidiu de outra forma. Quanto ao fedor no parque : « não há nenhum sistema de esgoto na cidade e várias centenas de casas despejam diretamente seu esgoto no rio que atravessa o parque », nos explica, um pouco desanimado, Ricardo. « Perguntei à prefeitura por que eles não obrigam as novas construções a terem um tratamento de água adequado e eles responderam que essa não era uma de suas prioridades ».

Ricardo Romero do movimento Pedala Manaus

Mais detalhes sobre essas duas entrevistas nos vídeos e no livro que publicaremos sobre o Brasil!

Agora que conhecemos melhor Manaus, pé na estrada rumo à natureza e à floresta amazônica onde os habitantes falam mais de 70 dialetos diferentes!

VOCÊ SABIA?
A origem do nome Amazônia viria das famosa Amazonas da mitologia grega. NO século XVI, as primeiras explorações espanholas da região equatorial da América do Sul, tendo como chefe o explorador Orellana, encontram mulheres que combatem tão ferozmente quanto os homens. Eles então as nomeiam « Amazonas ».

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