Três dias na cidade de Goiás ~ três histórias de vida

À primeira vista, a pequena cidade colorida de Goiás intriga e encanta. A história desse patrimônio mundial da UNESCO (desde 2001) remonta ao tempo do Ciclo do Ouro no século XVIII. Daquele tempo até hoje, várias pessoas marcaram o rosto de Vila Boa. Nossa visita em fotos e palavras!

Depois de 30 horas de ônibus, estamos contentes de retomar nossas bicicletas. Na primeira pedalada, percebemos que as ruas de paralelepípedo são impraticáveis para bicicletas sem suspensão carregadas com 60 kg! Que mudança de cenário! Sob um belo sol, descobrimos a magnífica arquitetura barroca do centro, suas butiques, suas igrejas e residências caiadas.

Bartolomeu Bueno da Silva

O Ciclo do Ouro atraiu um bom número de exploradores ao interior do Brasil. Bartolomeu Bueno da Silva foi um dos mais importantes bandeirantes. Esses pequenos grupos (bandeiras), mais ou menos oficiais, iam em busca de riquezas minerais e de índios para escravizar. Numa expedição em 1682 com seu pai, foi descoberto ouro nas margens do rio Vermelho em Goiás. Apelidado em língua tupi de Anhangüera, o que quer dizer « diabo velho », fundou em 1727 o estabelecimento colonial Santana, nomeado em 1739 Vila Boa de Goiás e hoje Goiás.

Cora Coralina – Uma vida de poesia

Atravessando a ponte e o rio Vermelho, temos o prazer de descobrir a casa de uma das maiores poetisas brasileiras. Ana Lins dos Guimarães nasceu nessa grande casa em 20 de agosto de 1889 e começou a escrever aos 14 anos. Por muitos anos, até seu marido ignorava seu amor pelas palavras. Nessa época, o papel das mulheres se resumia unicamente a cuidar da casa. Ela aprende datilografia com 70 anos. Com a morte de seu marido em 1965, ela deixa São Paulo e volta para sua cidade natal. Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, foi publicado quando tinha 75 anos!

Construída em 1770, a casa branca e verde é hoje um museu que retraça a história dessa pioneira do feminismo no Brasil. Em 10 de abril de 1985, aos 95 anos, Cora Coralina morreu, mas seu coração vermelho continua a bater na alma do Brasil.

Saber viver é a grande sabedoria
Cora Coralina

Milena Curado : Bordando cidadania e reduzindo penas

Descobrindo o centro, Vanessa chega por acaso a uma butique chamada Cabocla Criações. O projeto Cabocla – Bordando Cidadaniacomeçou em janeiro de 2008. Em nosso encontro com Milena Curado, descobrimos o caminho de uma mulher apaixonante e apaixonada.

« Desde os oito anos de idade, minha mãe me ensinou a arte do bordado. Aos 12, fazia minhas próprias roupas e aos 18 fiz cursos na Escola de Artes Visuais de Veiga Valle » explica-nos Milena, hoje com 37 anos.

Aos trinta anos, decidiu trabalhar com uma técnica de bordado utilizada pelos negros no período colonial de Goiás até o século XIX. Com seu conhecimento e sua experiência de criação de roupas, ela faz bordados que se inspiram na paisagem local, nas casas, na poesia e na literatura.

Com o sucesso de sua empresa artesanal, decide aumentar sua produção graças a uma parceria com bordados presas. « Do ponto de vista judiciário, foi bem complicado. Mas conseguimos chegar a um programa de redução de pena além de permitir a esse primeiro grupo piloto de 10 mulheres obter uma fonte de renda indispensável » conta essa apaixonada por Vila Boa. Hoje, o que não falta para Milena são ideias e projetos. Longa vida à Cabocla Criações!

Quando estávamos entrevistando essa artista, fomos interrompidos diversas vezes por uma barulheira de buzinas e música. Ficamos um pouco surpresos, mas tratava-se apenas de uma passeata política en vista das eleições municipais da semana que vem!

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