Mudança de rumo: direção Goiás

Isso é que é mudar de rumo de verdade! Depois de termos tentado por todos os meios chegar ao Pantanal do Norte a partir de Corumbá (barco, avião, ônibus), decidimos ir direto para o estado de Goiás. Um pequeno salto de 783 km que percorremos de ônibus por dois dias (e duas noites dormindo nas rodoviárias). Estamos cansados, mas felizes por chegarmos ao nosso 6º estado do Brasil!

Quarta-feira 26 de setembro a sexta-feira 28 de setembro
1783 km… (32 horas de ônibus e 14 horas de espera)

Corumbá → Campo Grande → Rondonópolis → Goiânia → Cidade de Goiás

Vanessa e nossa tonelada de bagagens. Imaginem o peso nas bicicletas!

Nascer do sol em Rondonópolis, Mato Grosso

Uma foto de nós dois após uma espera de 7 horas à noite na rodoviária de Rondonópolis. O fotógrafo cortou um pouco nossa cabeça, mas tá valendo…

Durante esses dois dias, atravessamos os estados do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso para finalmente chegar a Goiás. Fazemos uma breve parada noturna na capital, Goiânia, para seguir em direção à histórica Cidade de Goiás. Para nossa grande felicidade!

A boa nova da semana: as mangas estão quase maduras!

Em suma
O estado de Goiás está situado sobre o vasto planalto central brasileiro, com uma altitude média que oscila entre 750 e 900 metros. Continuamos na região Centro-Oeste que compreende os estados do Mato Grosso do Sul (MS), Mato Grosso (MT ), Goiás e o Distrito federal de Brasília. Com uma superfície de 340.087 km² (o tamanho da Alemanha), Goiás tem uma população de mais de 6 milhões de habitantes descendentes de europeus (84%), africanos (13%) e indígenas (3%). Como nos estados vizinhos (MS e MT), a economia é voltada principalmente para a agropecuária, mas notam-se igualmente a extração de minérios, o comércio, a indústria alimentícia, metalúrgica e madeireira.

O clima é tropical e semi-úmido. Aqui também a chuva não cai há meses. Mas, pela serenata de insetos que ouvimos ontem, não deve tardar: « Esses insetos só cantam quando vai chover » nos diz um funcionário da pousada onde dormimos. O clima tropical, situado entre o trópico de Capricórnio e o de Câncer, vai agora nos acompanhar por vários meses. Sentimos muito por aqueles que, com tristeza, estão vendo chegar o outono no hemisfério Norte!

Nossa primeira pousada com piscina… Bem agradável depois de 50 horas de viagem. Decididamente, o ônibus é mais cansativo que a bicicleta!

O principal bioma desse estado é o Cerrado, um dos seis biomas terrestres do Brasil (Mata Atlântica, Pampa, Pantanal, Cerrado, Amazônia, Caatinga). Já pedalamos nesse ecossistema complexo na região de Bonito, no Mato Grosso do Sul, antes de chegarmos ao Pantanal. O Cerrado cobre mais de 20% do Brasil e menos de 2% dele está protegido. Difícil descrever esse ecossistema, sobretudo para uma bióloga do hemisfério Norte que nunca ouvira falar desse tipo de savana sul-americana riquíssima em biodiversidade.

Segundo o Doutor em geografia Idelvone Mendes Ferreira (Universidade Federal de Goiás): « Esse bioma se caracteriza por uma vegetação tropical composta por ervas rasteiras, arbustos e árvores esparsas num solo ácido de relevo ondulado entrecortado por uma imensa rede hidrográfica». É portanto uma paisagem única, associada, mas bem diferente, às savanas africanas. De acordo com diversas fontes científicas, não restaria mais do que 8, 20 ou 50% desse bioma na América do Sul. Uma das causas principais desse desflorestamento é a expansão da agricultura nos últimos 40 anos (grandes monoculturas e pastos).

Foto tirada do ônibus em que se pode ver o bioma do cerrado. Em primeiro plano, um clássico pasto

Não surpreende que um dos grandes desafios do estado de Goiás, 97% coberto por esse bioma, seja tentar conciliar a expansão da agroindústria e da pecuária com a preservação do Cerrado, segundo maior bioma brasileiro depois da floresta amazônica.

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