MATO GROSSO DO SUL!

Depois de mais de 3.000 km e três meses de expedição, chegamos à nossa segunda região, a Centro-Oeste, e nosso quarto estado, o Mato Grosso do Sul (MS). Atravessamos sem problemas a ponte de 4 km que liga Guaíra (PR) e Mundo Novo (MS), embora ela seja proibida para ciclistas e pedestres. É com grande alegria que começamos essa nova etapa!

Quarta-feira 22 de agosto a sexta-feira 31 de agosto de 2012
Guaíra→ Mundo Novo→ Itaquirai→ Navirai→ Caarapó→ Dourados→ Vista Alegre→ Jardim
530 km (Total: 3184 km em 97 dias)

O Mato Grosso do Sul é um estado de 2,5 milhões de habitantes e cerca de 360.000 km2, ou seja, 1/5 da província do Quebec. Ele foi separado do estado do Mato Grosso em 1972. Esse estado se distingue por pequenas propriedades agrícolas e por uma produção muito mais intensiva do que no Norte, graças à presença de uma terra vermelha e fértil chamada terra roxa que deixa marcas coloridas em nossas bicicletas e em nossas roupas! Ainda estamos numa paisagem agrícola, para desespero do Bertrand que sonha com fotos bem contrastadas, diferentes de um campo agrícola a perder de vista sob um sol assolador. Mesmo assim ele consegue fazer algumas boas fotos nesses 10 dias.

A paisagem agrícola no MS é quase igual à do Paraná. Essa foto foi feita nos nossos últimos dias no Paraná.

Desde que chegamos ao MS, entramos numa estrada estreita e bastante movimentada. Até Dourados, pedalamos 250 Km com caminhões roçando nossas pernas. Não recomendamos esse trecho a outros cicloturistas.

Muitos caminhões na BR 163, entre Mundo Novo e Dourados

Notamos também que é um pouco difícil acampar nas fazendas dessa região. Seja por ficarem longe da estrada, seja por seus portões estarem trancados com cadeados, seja ainda porque os empregados não podem decidir quando o patrão não está presente. Levamos alguns « nãos » na cara, mas sempre acabamos encontrando um lugar para montar nossa barraca. Uma única vez, pedalamos à noite, e um pneu furado na bicicleta do Bertrand salvou talvez nossa vida forçando-nos a parar num entreposto agrícola. Pedalar à noite não é nem um pouco aconselhável numa estrada dessas, cheia de caminhões passando a toda velocidade. Em 9 noites, dormimos 4 na barraca montada em fazendas, 2 em entrepostos agrícolas e 3 em hotéis.

Primeira noite na Fazenda Dona, os proprietários Loro e Maristela Soares nos acolhem gentilmente em sua fazenda. No dia seguinte, partimos, cada um com um rosário para nos proteger no caminho. Com todo esse trânsito, estamos mesmo precisando!!

Carneiros da Fazenda Dona ao nascer do sol

Instalamos a barraca numa sala desse entreposto agrícola. E ainda tivemos direito a uma ducha quente! Perfeito para nos recompormos das emoções de ter pedalado durante a noite …

Bertrand e nosso acampamento, pouco depois de Naviraí. A família de trabalhadores vive no terreno de uma empresa de asfalto e deixa que nos instalemos entre esses dois bambuzais.

O senhor nos propõe essa ducha externa! Muita pressão para limpar em profundidade todos os ciclistas depois de um dia quente de bicicleta!

Fazemos uma pequena parada para descansar na cidade de Dourados (200.000 habitantes), perto do rio de mesmo nome. Dourado é também o nome de um peixe local muito apreciado. Resolvemos nos dar o luxo de duas noites numa suíte de hotel (desta vez, menos mequetrefe do que os outros onde ficamos). Para nossa felicidade, a estrada que pegamos em seguida é muito mais tranquila, apesar do asfalto esburacado.

Campos cultivados com estilo, perto de Dourados

Os cupinzeiros agora fazem parte de nossa paisagem cotidiana. Esperamos impacientemente para ver um tamanduá-bandeira em ação!

Desde que estamos no Mato Grosso do Sul, vemos muitos pássaros, apesar dos campos agrícolas a perder de vista. Por nos levantarmos bem cedo de manhã (5h), a fim de aproveitar o frescor matinal, costumamos nos deparar com Tucanos-tocos (aqueles de bico laranja) e pequenos papagaios verdes. Durante o dia, costumamos encontrar Emas que fogem rapidamente assim que chegamos, além de Curicacas (pássaro de bico recurvado) e Seriemas (grande pássaro, divertido de se ver com seu topete e suas patas vermelhas). Quanto aos mamíferos, já vimos um Tatu-peba, um Veado-campeiro e uma espécie de mustelídeo (doninha) não identificada!

Ema dando uma paradinha

Não posso deixar de falar do festival de pneus furados que tivemos durante esse percurso: 6 para o Bertrand e 4 para mim. Nossas câmaras furam misteriosamente nas junções. Compramos novas em Dourados que furam logo em seguida. Esperemos que essa história de pneus furados acabe logo, antes que comecemos a atravessar o Pantanal, uma zona isolada por mais de 300 km…

Primeiro pneu furado de uma série de 4 em dois dias! Total até agora: Bertrand 9 e Vanessa 6

Quando nos aproximamos de Guia Lopes da Laguna e de Jardim, começamos a rever uma grande quantidade de um elemento essencial para a vida: árvores! Não é de causar espanto que seja nessas florestas que vemos nossas primeiras Araras-canindés selvagens, esses magníficos papagaios coloridos. Dormimos uma última noite numa fazenda antes de chegar a esse importante destino ecoturístico que são as cidades de Jardim e Bonito. Vários circuitos são organizados (e obrigatórios) para visitar os mais belos lugares de água cristalina repleta de peixes exóticos. Antes de encarar um circuito de apneia, relaxamos no camping próximo ao Balneário Municipal de Jardim. No fim do dia, temos a visita de um grupo de macacos-prego e adormecemos com os berros dos macacos gritadores.

Vanessa com uma família de trabalhadores da fazenda Trincheira: Silvano, Marilene e o pequeno Igor

Depois de um dia quente de bicicleta, nada melhor do que um mergulhinho nas águas cristalinas do rio da Prata!

Um pequeno macaco-prego nas árvores

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