Uma das maravilhas do mundo natural – imperdível!

13 de agosto, Foz do Iguaçu

Enfim chegamos! Há 650 quilômetros, ou 13 dias de bicicleta, estamos com essas cataratas na cabeça. Uma primeira olhada do lado brasileiro, uma segunda do lado argentino e mesmo uma terceira de noite… Estamos sob o encanto dessa joia natural em meio à floresta subtropical!

O rio Iguaçu tem sua nascente nas montanhas costeiras do Paraná. Ele serpenteia nesse estado por 1.320 Km em direção ao oeste até se juntar ao confluente do rio Paraná que marca a fronteira entre a Argentina, o Paraguai e o Brasil. Em seus últimos quilômetros, o rio se lança em impressionantes cataratas onde 275 quedas de 80 metros de altura se espraiam em cerca de 3 quilômetros de largo! Esse sítio inscrito no patrimônio mundial da UNESCO desde 1986 é dividido em dois entre o Parque Nacional do Iguaçu no Brasil e o Parque Nacional Iguazu na Argentina.

Brasil ~ Parque Nacional do Iguaçu

Brasil ~ Parque Nacional do Iguaçu

Dois dias após nossa chegada a Foz do Iguaçu, debaixo de um belo sol, dirigimo-nos de bicicleta ao lado brasileiro. Deixamos nossas bagagens na casa do Fábio e os 25 quilômetros que nos separam do parque são percorridos rapidamente.

Na entrada desse parque criado em 1939, deixamos nossas bicicletas e tomamos o ônibus oferecido aos turistas para percorrer os 10 quilômetros que levam até à proximidade das quedas. Queremos chegar logo pois a luz é mais bela de manhã no lado brasileiro. Com uma área de 1 697,65 km2, a maior parte do parque não é acessível aos turistas. Essa ilha de floresta subtropical úmida (Mata Atlântica) é uma raridade no Brasil de nossos dias. Outrora, esse tipo de floresta cobria mais de 1,3 milhões de km2 em 17 estados do Brasil. Hoje, apenas 11% dessa área ainda está coberta de Mata Atlântica(SOS Mata Atlanticá).

Percorremos a pé o caminho mais popular, a Trilha das Cataratas, que oferece diversas vistas das quedas de tirar o fôlego. Devemos no entanto transitar entre a massa de turistas. É a primeira vez em dois meses que nos encontramos num lugar tão turístico onde escutamos o inglês e o francês sendo falados correntemente. Apesar do banho de multidão, apreciamos esse lugar encantador que não deixa ninguém indiferente e seco!

O vapor de água que se desprende das quedas nos refresca, sobretudo diante da impressionante Garganta do Diabo. Esse vapor de água favorece o crescimento de uma vegetação luxuriante.

Parque das Aves, um parque dedicado à preservação dos animais

Já que não tivemos a oportunidade de admirar a fauna diversificada do Parque Nacional do Iguaçu, decidimos visitar o Parque das Aves. Esse parque, criado em 1994, é o mais importante parque de pássaros da América Latina. Foi criado a fim de oferecer boas condições para a reprodução e a reintrodução de pássaros e para garantir a conservação de 160 km2 de Mata Atlântica. A educação e a sensibilização permitem assim conscientizar as pessoas sobre a proteção do meio ambiente dos homens e dos pássaros!

Arara-vermelha-grande (Ara chloropterus)

Arara-canindé (Ara ararauna)

Nos grandes viveiros, vimos numerosos pássaros como araras e tucanos posando para nós. O tucano toco, com seu bico amarelo vivo, parece bonito demais para ser de verdade! Aprendemos que seu grande bico lhe permite, graças a uma rede de vasos sanguíneos extremamente desenvolvida, estocar ou liberar calor, funcionando como uma espécie de radiador. Saímos de lá com muitas imagens na cabeça e nas câmeras!

Tucano-toco (Ramphastos toco)

Argentina ~ Parque Nacional Iguazu

Na quarta-feira 01/08, partimos de bicicleta para a Argentina a fim de descobrir o outro lado dessas famosas cataratas. Para nossa surpresa, o caminho parece fácil… sem as bagagens!

Esse parque argentino em 1934 tem uma área menor que seu vizinho brasileiro: 599,45 km2. No entanto, ele tem mais trilhas onde é possível admirar as numerosas quedas. Segundo a UNESCO, esse sítio abriga mais de 2.000 espécies de plantas vasculares e a fauna típica da região: antas, tamanduás gigantes, bugios, gatos-do-mato e jacarés. Durante nossa visita, fora os quatis que quase nos atacam para conseguir comida, a fauna permaneceu discreta.

Numa tarde, temos tempo para percorrer a maioria das trilhas do parque, passando pelo Sendero verde, o Paseo Inferior, o Paseo Superior e o impressionante Paseo Garganta del Diablo. Quanta beleza! O lado argentino permite admirar numerosas cascatas e ficar uma pouco mais tranquilo nas trilhas. Mágico!


Refúgio de animais selvagens Güiré Oga

Graças aos conselhos de nossa boa amiga Audrey, paramos para fazer uma visita ao refúgio de animais selvagens Güiré Oga. Esse centro particular nasceu da necessidade de dotar a região de um estabelecimento que trabalhe no socorro, na reabilitação e na reintrodução da fauna selvagem nativa. Ele se ocupa particularmente dos pássaros da floresta subtropical ameaçados, feridos ou fugidos do cativeiro (animais de estimação). Nossa guia fala da impotência dos guardas florestais do parque que devem combater os numerosos caçadores clandestinos da região que vendem os animais a altos preços.

Terceiro mercado mais lucrativo, depois da droga e das armas, cerca de 38 milhões de aniamis selvagens – 80% pássaros – são capturados clandestinamente no Brasil. 90% morrem durante o transporte (Renctas). O desafio é grande e, mais uma vez, a educação e a sensibilização podem fazer a diferença. Uma visita guiada de duas horas que vale a pena o desvio!

Ave de rapina

Um dia cheio com cerca de 35 quilômetros de bicicleta pela manhã, duas horas de visita guiada, 6 quilômetros de caminhada em 4 horas no parque, mas não podemos esquecer a volta… Outros 35 quilômetros para chegar novamente à casa do Fábio. Saímos do parque às 18h00… Milagre, conseguimos completar esse percurso em menos de duas horas!

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