Nossos últimos dias no Rio Grande do Sul

6 de agosto de 2012, Foz do Iguaçu
Santo-Augusto→ Erval Seco→ Iraí→ Maravilha→ São Miguel do Oeste
225 km (Total: 1757 km, 53 dias)

De uma estrada de terra onde parecemos estar sozinhos no mundo a uma BR em que o acostamento começa e termina sem razão, pedalamos tranquilamente em direção às cataratas do Iguaçu. Essas famosas cataratas situadas na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai são uma maravilha natural inscrita no patrimônio mundial da UNESCO desde 1986. Estamos ansiosos para descobri-las, mas faltam ainda algumas pedaladas!

No domingo 15 de julho deixamos a família Souza e Silva debaixo de um belo sol. Partimos com diversas lembranças na cabeça e nas bagagens: porta-chaves de madeira e couro com a efígie do Rio Grande do Sul, bonés e lápis, Cachaça 51, broches das Missões e de Nossa Senhora Aparecida e um rosário. Ah, esses gaúchos, sempre tão generosos! Desde o início de nossa expedição, damos de lembrança aos brasileiros que encontramos broches do Canadá, do Quebec e da cidade do Quebec. A família Franco, de bento Gonçalves, nos deu em troca nossos primeiros broches do Rio Grande do Sul. A partir de então, começou nossa coleção, engrossada hoje por aqueles da família Sousa e Silva!

Nossa coleção de broches brasileiros!

Saindo se Santo Augusto, tomamos uma estrada de terra que, através de campos agrícolas, leva à cidadezinha de Erval Seco. No fim do dia, esgotados com as constantes subidas, paramos diante de uma casa para perguntar se podemos montar nossa barraca no terreno. Assim que a noite cai, o frio se faz sentir. Depois de um espaguete e de um mate, entramos em nossa barraca e nos enfiamos em nossos sacos de dormir às seis e meia da tarde!

Um pouco de chimarrão para esquentar!

No dia seguinte, em Erval Seco, temos novamente a surpresa de ver nossas compras pagas pelo proprietário do Mercado Meisner. Depois dessa cidadezinha, chegamos rapidamente à BR 158 que seguiremos pelos próximos 200 quilômetros. Mesmo com o trânsito, o acostamento nos permite circular tranquilamente sem medo de sermos atropelados por uma caminhão! Passamos sorrindo pela cidade de Seberi (pronunciada Sibiri) que nos recorda nosso projeto inicial de ir para a Rússia… Mesmo no Brasil, não faz calor na Sibéria! Finalmente chegamos à cidade de Iraí onde passamos a noite num hotel barato (e meio sujinho). É com alegria que fico sabendo que essa cidade é famosa por suas águas termais. Hum, um banhinho não iria nada mal! Chegando ao centro comunitário, a piscina está fechada, mas me deixam tomar um banho. Um banho! O primeiro em dois meses, hum, hum, saboreei-o tranquilamente durante quase uma hora. Enquanto isso, Bertrand fica no hotel cuidando de nossas coisas. Encontro-o morrendo de frio, trabalhando no computador…

Iraí é nossa última cidade no Rio Grande do Sul onde passamos um mês inteiro. Quantas lembranças bonitas! Para chegar a Santa Catarina, onde demos nossas primeira pedaladas, atravessamos uma ponte sobre o rio Uruguai, cujo nome significa em língua guarani « rio dos pássaros pintados ». Continuamos na BR, mas notamos que a paisagem muda. As zonas agrícolas dão lugar a colinas cheias de mata.

Colinas com bosques – Santa Catarina

Na intersecção das BRs 158 e 282, temos que tomar uma decisão… Fizemos contato com Diogo Berghahn, um participante da rede Warm Shower, morador da cidade de Modelo. Warm Shower é um sistema de troca gratuita de hospedagem entre cicloturistas do mundo inteiro. Uma chuveirada quente sempre é bem-vinda depois de um dia de bicicleta! É o mais interessante é a possibilidade de encontrar outros apaixonados por bicicleta. Nós mesmos já acolhemos cicloturistas em nossa casa em La Malbaie. Para voltar a nossa escolha, temos a opção de ir pela estrada de Modelo, toda cheia de subidas, ou de continuar em direção ao oeste, caminho mais curto para chegarmos a Foz do Iguaçu pela Argentina. Tendo subestimado a distância e não tendo mais como chegar naquela mesma noite à casa de Diego em Modelo, optamos pela direção oeste. Desculpe, Diego, fica para a próxima vez!

Entrando na BR 282, temos a desagradável surpresa de constatar que o acostamento aparece e desaparece continuamente… Seguimos nosso caminho entre os caminhões. Em Maravilha e em São Miguel do Oeste, dormimos pela segunda e pela terceira vez em hotéis baratos. Na cidade, é prático e nos permite trabalhar à noite no computador pelo módico custo de 20 a 30 dólares canadenses com banho e um farto café da manhã incluídos!

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