ROTA MISSÕES, a generosidade brasileira no caminho das missões jesuítas

14 de julho de 2012, Santo Augusto
Roca Sales→ Encantado→ Soledade→ Tapera→ Cruz Alta→ Ijui→ São Miguel das Missões
380 km em 6 dias de bicicleta

Eis um pequeno resumo de nossas pedaladas e de nossos encontros na região das missões jesuítas.

Em Roca Sales, deixamos a família Franco sob um belo sol e tomamos a estrada de terra que ladeia o vale e o rio até Muçum. Tudo estaria ótimo se eu não estivesse me sentindo mal. Minha cabeça roda, meu coração dói, me sinto sem energia… Avançamos lentamente. Bertrand carrega sua bicicleta nas subidas e depois desce para carregar a minha até a sua, e assim vamos. É isso o amor! Algumas horas mais tarde, já novamente no asfalto, perto de Muçum, encontramos um lugar para parar e repousar. Apesar do trânsito, consigo tirar uma sesta!

Mas continuo em plena miséria até Encantado : 30 quilômetros hoje… Chegando na cidade, cruzamos Nereu Stefenon em sua bicicleta. Ele vai logo nos convidando para ficar na casa dele à noite. Esse convite chega em boa hora e aceitamos sem hesitar! Em sua casa, encontramos sua esposa, Luci Rosa, sua filha Marielli e seu namorado Daniel. Uma bela noite em boa companhia, com uma boa sopa que nos aqueceu por dentro e uma boa noite de sono. Muito obrigado à família Stefenon por sua hospitalidade!

Deixando Encantado, entramos na região turística dos vales. A paisagem agrícola é bucólica, mas avançamos lentamente num ritmo sem fim de subidas e descidas. Nada fácil… Atravessamos fazendas onde se cultiva e processa a erva-mate do popular chimarrão. Chegando a Soledade no fim do dia, passamos direto. Um pequeno problema: as fazendas se fazem raras e estamos sem água. A paisagem agrícola familiar se transforma em grandes latifúndios a perder de vista. Ao cair da noite, chegamos a uma fazenda com grandes silos. Por sorte, encontramos o contramestre dessa cooperativa de soja, Rogério Kuinchtner, que nos deixa acampar no terreno. Antes de ir para sua casa, Rogério nos traz diversas coisas para comer, entre elas um prato de arroz e feijão acompanhado de carne ainda quente. Bertrand janta portanto pela segunda vez! Obrigado Rogério.

Após uma boa noite de sono, partimos da cooperativa com o vento nas velas, ou antes nas pernas! Chegamos à cidade de Tapera pelas 13 :30. Pequena pausa para um sorvete! No centro, aproveitamos para acessar a internet. Por volta das 15 :00 retomamos a estrada para acampar fora da cidade. Encontramos então José Dahmer, um simpático senhor. Depois de algumas fotos, eis que ele chama o Jornal da Integração, o jornal local. Alguns minutos depois, o jornalista Ernani chega para fazer uma entrevista com a gente, nossa primeira no Brasil. Em seguida, novo convite de José para que falemos com um responsável da prefeitura que poderá nos levar para visitar seu parque recém fundado, a Floresta Municipal das Araucárias Janaína Orth. Acompanhados por esses senhores e empurrando nossas bicicletas, visitamos essa trilha de 2 km dominada por enormes araucárias centenárias.

Como já está tarde, José sugere que acampemos ao lado do parque, perto de um posto de gasolina onde vários caminhões estão parados para passar a noite. Várias pessoas nos recomendaram esses lugares onde há sempre um vigia durante a noite. Feliz com nossa passagem por Tapera, José volta à noite com um churrasco entregue diretamente na barraca. Obrigado, José!

No dia seguinte, quando nos levantamos, o céu está sombrio. Terminamos nosso tradicional café da manhã (leite em pó com granola para mim, pão com geléia de figo para Bertrand). No mesmo instante, a garçonete do restaurante vizinho vem nos trazer café e duas empanadas de carne. Decididamente, a generosidade dos brasileiros é inigualável! Montamos em nossos selins e passamos a manhã a seco apesar dos sinais de chuva iminente. Temos menos sorte à tarde, a chuva começa e vence nossos equipamentos. Chegamos a Cruz Alta encharcados até os ossos. Decidimos dormir numa pousada para nos secarmos e reaquecermos, de tão molhados que estamos. Para o dia seguinte, nosso objetivo é chegar a São Miguel das Missões, sítio inscrito no patrimônio mundial da Humanidade pela Unesco. Ali chegamos dois dias e inumeráveis subidas e descidas depois.

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