Da Alemanha à Itália

6 de julho- Cruz Alta
Gramado → Nova Petrópolis → Feliz → Bom Principio → Bento Gonçalves → Santa Teresa → Roca Sales
160 km de bicicleta em 3 dias

O caminho do cicloturismo é povoado de rostos. Nos diversos cantos do país encontramos pessoas calorosas e interessantes. A arte brasileira da partilha da Alemanha à Itália!

História de encontros: a Alemanha

Deixamos o ar suíço de Gramado para atravessar algumas cidadezinhas de sabor alemão. As paisagens são belas e pitorescas, mas a circulação é intensa e o acostamento quase inexistente. Chegando a Feliz, encontramos Paulo Fernando Dorfey, brasileiro de origem alemã que nos indica um lugar onde dormir no centro da cidade. Graças a ele, acampamos no parque municipal ao lado dos bombeiros. No dia seguinte, antes de nossa partida, Paulo volta e nos oferece algumas iguarias alemãs.

Nosso novo amigo Paulo Fernando Dorfey

A estrada entre Feliz e Carlos Barbosa é o inferno para os ciclistas. Subidas, muito trânsito e nenhum lugar para as bicicletas… Somente 55 km, mas estamos esgotados de empurrar nossas casas sobre duas rodas. Que surpresa ao vermos chegar nosso amigo Paulo! Na hora certa, ele se torna nosso carro escolta como no Tour de France! Ele se propõe a nos aliviar de alguns alforjes, nos oferece água e, o mais importante, segue-nos para nos « proteger » do trânsito. Ufa, estamos no topo! Paulo ainda nos reserva surpresas deliciosas. Miam, miam, depois desse esforço, a carne está ótima. Despedimo-nos de Paulo agradecendo-lhe calorosamente sua ajuda.

História de encontros: a Itália

No fim do dia, chegamos a Bento Gonçalves, cidade de origem italiana onde são produzidos os melhores vinhos do Brasil, e procuramos um lugar para dormir. Perto da igreja, encontramos David, Fernanda e Pedro, o filhinho deles. Perguntamos-lhes qual o melhor lugar para acampar. David nos sugere a estação de trem ou um campo de futebol no Vale dos Vinhedos perto da casa de seus pais.

Bento Gonçalves à noite

Optamos pelo campo de futebol que está no nosso caminho do dia seguinte. O trio, que também está de bicicleta, nos indica a direção a tomar. David nos diz que vai avisar seus pais de nossa chegada. Continuamos com o coração alegre nesse caminho pavimentado, apesar das costas e dos esforços para chegar a esse famoso lugar de camping. No último quilômetro, de sofrimento e miséria, empurramos as bicicletas a dois! Entre duas empurradas, encontramos os pais de David, Heleno e Izabel. Eles nos mostram como chegar à casa deles. Quando chegamos lá em cima, temos a surpresa de sermos convidados para dormir dentro da casa. David, Fernanda e Pedro também aparecem lá às noite. É o começo de três dias em que partilhamos a vida da família Franco. Muito obrigado por sua inesquecível acolhida!

Da esquerda para a direita, a família Franco e nós:
Vanessa – Pedro – Fernanda – Heleno – Angela – Izabel – David – Bertrand

Ao longo das conversas, ficamos sabendo que David estuda agronomia e já começou a produzir alimentos orgânicos. Na verdade, toda a família é adepta dos produtos orgânicos. Perguntamos se eles conhecem algum produtor de vinho orgânico. Dito e feito, no dia seguinte encontramos Jorge Mariani.

Propriedade familiar Mariani, com mais de 120 anos (1884)

Esse viticultor, apaixonado pelo cultivo orgânico, nos acolhe na propriedade familiar Mariani que tem mais de 120 anos (1884). Conta-nos a história da propriedade onde a primeira vinha foi plantada por seus avós em 1886 de uma semente trazida da Itália. Explica-nos também por que escolheu o cultivo orgânico há 14 anos. O movimento da agroecologia fez vibrar nele o desejo de voltar à terra familiar e desenvolvê-la de maneira diferente, sem produtos tóxicos. Hoje, além de sua produção de vinho e de suco de uva orgânicos, ele trabalha ativamente na Cooperativa de Produtores Ecologistas de Garibaldi (COOPEG) a fim de partilhar sua experiência com outros agricultores.

Jorge Mariani – um viticultor apaixonado pelo cultivo orgânico

Depois desse encontro, David, Fernanda e Pedrinho nos levam de carro para visitar os Caminhos de Pedra. É estranho andar tão rápido, chego a ficar tonto. Esse circuito turístico permite visitar várias casas históricas onde o savoir-faire dos habitantes é valorizado. Da casa dos tomates àquela dos tecelões, passando pela dos carneiros e das massas, apreciamos a diversidade local.

Caminhos de Pedra

De volta à casa Franco para o jantar, a família se dá conta de que ainda não comemos churrasco, assado de carne típico da região feito em fogo de lenha. Sem nenhuma hesitação, convidam-nos a partilhar com eles na noite seguinte um churrasco na terra que têm em Roca Sales. O convite é perfeito pois Roca Sales fica bem no caminho que queremos tomar para continuar nossa rota. No dia seguinte, aproveitamos para visitar de bicicleta o Vale dos Vinhedos. Uma pequena degustação de vinho às 10 da manhã para começar o dia! Todavia, como ciclocondutores responsáveis, não bebemos demais. Ao longo do rio, a estrada de terra é bonita e tranquila, e nos dirigimos tranquilamente à propriedade dos Franco. De repente, um carro chega buzinando e para. Que surpresa! Nosso amigo Paulo de Feliz!

História de encontros: a Alemanha e a Itália!

Paulo conseguiu nos localizar pela pista que lhe dei por e-mail: Família Franco do Vale dos Vinhedos… Um verdadeiro Sherlock Holmes esse Paulo! Ainda surpresos, continuamos os últimos quilômetros de bicicleta enquanto Paulo nos segue até a terra dos Franco, onde, por um momento agradável, a Alemanha e a Itália se reúnem! Passamos uma bela noitada com a família Franco, bebendo chimarrão e comendo churrasco.

Heleno Franco e o famoso chimarrão

Realmente, o cicloturismo nos reserva muitas surpresas – e ainda não terminou!

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