Nosso primeiro encontro cicloturístico

23 de junho, Cambará do Sul – Nessa manhã brumosa, antes de deixarmos a Pousada Fazenda Monte Negro à cerca de 1.400 metros de altitude, temos nosso primeiro encontro cicloturístico, com um paulista. História de nossas pedaladas com André Pasqualini, um bicicreteiro muito simpático!

Encontro com um cicloturista brasileiro muito simpático, André Pasqualini

André passou a noite perto da Pousada e ficou tão surpreso quanto nós de encontrar viajantes de bicicleta! Decidimos pedalar juntos até Sâo José dos Ausentes, avisando-o de que não somos muito rápidos. Felizmente, essa segunda parte da estrada é um pouco mais fácil do que o primeiro trecho de 38 km percorrido em 12 horas!

Na estrada para São José dos Ausentes

Ao meio dia, depois de 42 quilômetros, estamos na cidadezinha de 3.000 habitantes onde a temperatura média anual é de apenas 13°C! Para retomar forças e nos aquecer, fazemos uma parada num restaurantezinho local. No Brasil, o buffet livre é muito popular, por um custo médio de R$ 15,oo, ou seja, 8 $ canadenses. Observando os mapas, André nos convence a acompanhá-lo por uma estrada de terra que leva a dois outros cânions. Arrependemo-nos um pouco de nossa escolha quando a estrada, por causa da fina chuva, fica escorregadia como gelo. André e eu caímos algumas vezes, mas sem nos machucar.

É a partida! Guardar as barracas

Lá pelas cinco da tarde, cansados, decidimos acampar perto de um riozinho. Um foguinho e um bom espaguete nos aquecem apesar da chuvinha que não para. Experimentamos até os pinhões grelhados na brasa, tradicional petisco local. Delicioso! Após mostrarmos para André o livro de Bertrand sobre o Canadá, acabamos logo em nossos sacos de dormir, roncando suavemente. André é uma inesgotável fonte de informações sobre o cicloturismo no Brasil e sobre a cultura de seu bem-amado país. Beleza! Aproveito para melhorar minha compreensão do português e praticar meu portunhol! Dois anos atrás, André percorreu 8.000 quilômetros de bicicleta no Pantanal e na Amazônia. Coletamos preciosas informações sobre essas regiões. Para saber mais sobre cicloturismo no Brasil, André tem um belo site na internet: http://bicicreteiro.org

No dia seguinte, seguimos para Cambará do Sul sem imaginar os problemas cicloturísticos que nos aguardam …

Nessa manhã, paramos várias vezes para tentar consertar o bagageiro de André e nossas prensas conseguem contornar o problema temporariamente. Felizmente, André vai de bicicleta apenas até Porto Alegre, voltando de lá para sua casa em São Paulo. Primeiro probleminha. O segundo nos surpreende muito mais… Estamos tranquilamente sentados à beira da estrada, comendo um pouco para retomar nossas forças, quando alguns policiais param e se dirigem a nós bruscamente gritando para que coloquemos as mãos na cabeça e mostremos nossos documentos. Os rapazes são revistados e eu, meio em pânico, tento fazer os policiais compreenderem que Bertrand não fala português e que somos turistas canadenses. A coisa se acalma um pouco para nós, mas o tratamento não parece semelhante para nosso amigo paulista… Após verificarem nossos documentos, eles revistam ainda os alforjes de André e vão embora dizendo que qualquer coisa podemos contar com eles… Uau, que abordagem! André ficou de cara com a falta de cortesia e de savoir-vivre dos policiais, mas nos tranqüilizou dizendo que não costuma ser assim. Além disso, ele nos diz que, em casos de necessidade, é melhor se dirigir aos cidadãos brasileiros do que à polícia. Os cidadãos estarão sempre lá para ajudar… Está anotado, André, muito obrigado pelos conselhos e por tua ajuda. Temos agora um padrinho cicloturista no Brasil!

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